terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Capela de Santa Luzia ganha réplica

Queria ter postado essa matéria ontem, dia do meu aniversário e dia de Santa Luzia, mas estava meio chateada com algumas coisas e acabei esquecendo completamente. De qualquer forma, leiam como se fosse dia 13 de dezembro. E aproveitem essa história que mistura fé e patrimônios esquecidos pelo poder público.

Capela de Santa Luzia ganha réplica

Construída em 1925, igreja de Ribeirão Pires caiu no começo do ano por causa das enchentes

Por Camila Galvez

Foto: Edmilson Magalhães/Diário do Grande ABC

Rua Tejo, s/nº, Bairro Santa Luzia, Ribeirão Pires. Quem chega ao endereço encontra o que restou da antiga Capela de Santa Luzia: uma quina de parede. O resto é entulho.

A igrejinha foi erguida em 1925 pelos canteiros, funcionários da Pedreira Santa Clara que trabalhavam no corte da pedra para a transformação em paralelepípedos. Os trabalhadores viram na protetora da visão a salvação para seus olhos ameaçados pelas lascas. Em sua homenagem, inauguraram a capela em 13 de dezembro, dia de Santa Luzia.

Hoje, exatamente 85 anos depois, o abandono do local que já foi sagrado deixaria a santa triste. O aposentado Walter Xavier de Araújo, 74 anos, viveu 20 deles numa casinha simples ao lado da capela e acompanhou de perto sua ruína. No início de 2010, as mãos de seu Walter ajudaram a derrubar o que restou da capela quando ela caiu após mais uma enchente. “Todo ano a água chegava por aqui”, diz, apontando o próprio peito. “Não tinha como a igrejinha ficar de pé”. Os moradores destruíram o que restou da construção porque ela ameaçava cair sobre suas casas.

Segundo o historiador Arnaldo Boaventura, do Instituto do Patrimônio do ABC, a chuva começou a derrubar parte da história de Ribeirão após a chegada do progresso ao Bairro Santa Luzia. “Elevaram o nível da rua para fazer o calçamento, o que fez com que a área da igreja acumulasse toda a água da chuva, formando um grande lago”, explicou.

A perda é irreparável, mas deve ser minimizada com a construção de uma réplica da capela. O projeto é fruto de parceria entre o Instituto, a Prefeitura e a Aciarp (Associação Comercial, Industrial e Agrícola de Ribeirão Pires) e está orçado em cerca de R$ 250 mil. O principal obstáculo é angariar o montante. “Pretendemos fazer uma reunião com empresários da cidade em janeiro. O objetivo é tentar sensibilizá-los para a causa e incentivá-los a doar dinheiro ou material de construção”, destacou Boaventura.

Desta vez a chuva não é desculpa para abandono: a réplica será construída em um terreno mais alto, na Rua Giácomo A. Scomparim, próximo ao antigo endereço e ao lado da Escola Municipal Yoshyiko Narita. A criançada vai perder uma quadra de esportes, mas a cidade vai ganhar de novo uma de suas igrejas mais antigas.

Protetora - Enquanto a réplica não sai do papel, a santa protetora da visão está sob os cuidados de uma senhora que reclama: “quase não enxergo mais, filha”. Odete Périco Correia tem 89 anos e sempre cuidou da imagem, que sua família trouxe de Portugal. O suor do pai de dona Odete, Diniz Correia, escorreu pela fronte enquanto ele ajudava os canteiros nas obras da capela.

Antes da igrejinha cair, a santa deixou o altar e foi parar na cômoda de dona Odete. Enfeitada com fitas e um terço, exibe túnica verde e rosa e coroa dourada. Nas mãos, carrega os olhos de seus fiéis em um pequeno prato. Os pés estão descalços, assim como os de dona Odete, escondidos sob o cobertor que ela usa para se aquecer, embora o sol lá fora esteja a pino.

O filho de dona Odete, Renato Périco, 57, está acostumado a ver a santa na casa da mãe. Ao ser questionado se ela voltará para o altar da réplica da capela, ele ri. “Acho que minha mãe não vai deixar não”. E dona Odete completa. “A santa só sai daqui quando eu morrer”.


Patrimônios da cidade estão em ruínas

Ribeirão Pires é uma cidade em ruínas, ao menos no que diz respeito à história. Desde 2005 não há Conselho Municipal do Patrimônio no município. A atual administração revogou o decreto que concedia o tombamento de sete imóveis, entre eles a Capela Santa Cruz, as igrejas de Santo Antônio, Matriz, São José, Anglicana, o Prédio Vila Souza e o casarão da família Richers. Os únicos bens tombados pelo Governo do Estado são a Igreja de Nossa Senhora do Pilar, a mais antiga do Grande ABC, e a Estação Ferroviária.

Outros locais que guardam a memória dos moradores estão se deteriorando. Exemplo disso é a Fábrica de Sal, no Centro. O prédio de tijolo aparente e a chaminé remontam ao passado, mas estão corroídos pelo cloreto de sódio refinado ali. Parte do acervo do Museu Municipal ainda está no prédio, fechado pela prefeitura há cerca de dois anos. Pela janela de vidro sujo é possível enxergar caixas com documentos, um piano, um banner da Secretaria de Educação e uma réplica em miniatura do prédio, entre outros objetos, molhados por água da chuva que infiltrou pelo telhado.

A funcionária pública Lídia Ambrosio dos Santos, 50, lembra-se bem da época em que a filha estudou piano e fez parte do coral da Escola de Música, que ocupou a antiga Fábrica de Sal. “A gente podia vir aqui, sentar nos bancos do lado de fora e ouvir a melodia a qualquer hora”.

A Vila Operária da Pedreira, a maior de Ribeirão Pires, é outro patrimônio perdido. Das 20 casas construídas para os trabalhadores, restam apenas quatro. As demais foram demolidas pelos proprietários da pedreira, que tem interesses comerciais no terreno próximo ao traçado do Trecho Leste do Rodoanel. As casas que resistem em pé foram alteradas em sua arquitetura original, datada do início do século XX.

A dona de casa Margarete Maria de Jesus, 50, é uma das que resistem no local. “Meus filhos nasceram e se criaram aqui, não quero sair”, diz.

Demolição - O antigo Casarão dos Mansuetto, importante família que viveu e investiu no município, foi construído no início da década de 1950, e começou a ser demolido neste ano. A prefeitura embargou a demolição tarde demais. Agora resta pouco do antigo prédio histórico que abrigou uma pizzaria nos últimos anos.

Um dos proprietários se comprometeu a ceder ao patrimônio público as peças consideradas de interesse histórico. O brasão da família, esculpido em mármore italiano, é um dos artefatos que será preservado.

Outro prédio em risco fica próximo à estação de trem e pertenceu à família Eid. Na década de 1930, abrigou o maior armazém de secos e molhados de Ribeirão Pires. Hoje deverá ser demolido para dar lugar a uma passarela da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos).


Curso de restauradores aguarda verba do Ministério da Cultura

A formação de mão de obra especializada em restauração em Ribeirão Pires poderia ajudar a criar uma cultura de preservação de patrimônios históricos. Essa é a opinião de Arnaldo Boaventura, do Instituto do Patrimônio do ABC. O município aguarda verba de R$ 48 mil para instalar o segundo módulo do Curso de Formação de Jovens Restauradores.

A iniciativa do Instituto prevê investimento total de R$ 180 mil para formar turmas de restauradores nas sete cidades. Em 2009, São Bernardo inaugurou a iniciativa, formando 50 jovens nas artes de pintura em afresco, marcenaria, vitrais e gesso, além de aulas de violão e educação patrimonial.

Em Ribeirão, a previsão é formar mais 50 restauradores, com idades entre 16 e 24 anos. O curso tem duração de 200 horas e emite certificado. “Com jovens especializados e conscientes, podemos ajudar a reerguer o patrimônio histórico do município”, garante Boaventura. O Ministério da Cultura, porém, ainda não tem data para liberação da verba.


Ribeirão Pires cria Departamento de Patrimônio Histórico

Após cinco anos da extinção do Conselho do Patrimônio Histórico de Ribeirão Pires, a Prefeitura iniciou neste mês a instalação do Departamento de Patrimônio Histórico da cidade, que integra a Secretaria de Esportes, Turismo, Cultura, Juventude e Lazer. Composto por cinco funcionários, a sede será no Teatro Municipal Euclides Menato, que abriga algumas obras de valor histórico do município. A intenção é digitalizá-las e criar um museu virtual a partir de março do ano que vem.

O pesquisador Arnaldo Boaventura, do Instituto do Patrimônio do ABC, ficará responsável pela coordenação do museu e dos bens patrimoniais, e Talita Ramos dos Santos, pela assessoria de atividades turísticas.

Entre as medidas urgentes destacadas pelos novos funcionários está a restauração dos patrimônios históricos tombados pelo governo do Estado. “Precisamos agilizar os trabalhos na Igreja de Nossa Senhora do Pilar e na Estação Ferroviária para manter a história da cidade viva”, disse Talita. Elaborar uma lista de bens que deverão ser tombados no município também é um dos projetos previstos para 2011, segundo Arnaldo.

O orçamento do novo departamento, porém, ainda é incerto, conforme o secretário Luis Gustavo Pinheiro Volpi. “Vamos discutir isso com o prefeito Clóvis Volpi, mas acredito que essa será uma das prioridades. Queremos transformar os patrimônios em atrações turísticas e atrair mais visitantes para a Estância”, destacou Luis Gustavo.

Para tanto, Talita prevê instalar um projeto turístico que levará crianças e jovens dos sete aos 20 anos para conhecer diversos pontos históricos do município. “A intenção é promover um jogo recreativo e criar a cultura de preservação do patrimônio nos mais jovens”, destacou.

Museu - Por enquanto, o acervo da cidade será apenas virtual, mas a intenção é construir um museu físico no futuro. Enquanto o projeto não sai do papel, obras e documentos históricos estão sendo reunidos e digitalizados para posteriormente ficarem expostos em três pontos do município: o Teatro Municipal Euclides Menato, a sede da Secretaria de Esportes e o Paço Municipal. O custo dos equipamentos, que possibilitarão a interação dos visitantes, é da ordem de R$ 42 mil.

Segundo Volpi, a prioridade é retirar parte do acervo guardado na antiga Fábrica de Sal, ameaçado pela contaminação das paredes. “Sabemos que aquele material está se deteriorando e precisará ser restaurado antes de fazer parte do museu”, admitiu.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

79 anos de equilíbrio

Conhecer dona Phenicia me emocionou em todos os sentidos: por sua garra, sua determinação, sua simpatia, seu jeito de me receber, tudo. Dona Phenicia provocou em mim risos e lágrimas, uma experiência inesquecível e intensa. A cada dia me sinto mais grata por conhecer histórias desse tipo, e por poder narrá-las do jeito que as vejo e sinto.

E para quem quiser ver o desempenho da equilibrista, é só acessar o vídeo no site do Diário do Grande ABC, clicando aqui.

79 anos de equilíbrio


Com nome de princesa e jeito de bailarina, Phenicia Annunciatta Alves de Araújo Crivellaro Motta se apresenta pela primeira vez no Circo Escola


Por Camila Galvez

Foto: Nário Barbosa/Diário do Grande ABC


A sapatilha branca pisa firme no arame, que não tem mais do que um dedo de espessura. Os pés delicados de bailarina desfilam enquanto uma das mãos, enrugada pela idade, busca apoio no professor. A outra vai esticada para garantir o equilíbrio, e se move com graça enquanto ela caminha. A música toca alto, ritmo latino, e o público está de boca aberta.

Então, vem o bambolê, e ela levanta os pés sem se abalar para passar por dentro do objeto. Seu rosto reflete concentração. A maquiagem azul borra no canto do olho, mas em nenhum momento ela desequilibra. A expressão é séria, compenetrada. É a primeira vez que ela sobe no arame para se apresentar no Circo Escola de Diadema.

Phenicia Annunciatta Alves de Araújo Crivellaro Motta nasceu em 23 de março de 1931 e ganhou nome de princesa. A lona branca de estrelas vermelhas erguida no Jardim União se transformou em seu castelo na noite de quinta-feira. Seus súditos foram familiares e amigos de pessoas comuns, que se tornaram artistas no encerramento das atividades do Circo Escola. Phenicia também é artista. Escolheu ser bailarina.

Mas antes Phenicia relutou. Quem a arrastou para o circo foi uma de suas cinco filhas, Giovana, e as netas Beatriz e Verônica. A família chegou à lona em março. "No começo, eu vinha só acompanhar, ficava no cantinho, sentada, fazendo palavras cruzadas." Há dois anos e oito meses, Phenicia perdeu Dandolo Motta, marido e companheiro por 56 anos. "Estava triste, mas minha filha quis me tirar de casa.

Um dia o circo viu Phenicia levantar e, por detrás da cortina do picadeiro, fazer malabares. Daí para o arame foi um pulo, e o rosto antes abatido de viúva ganhou cores. Primeiro uma camada de pó. Depois, a sombra suave aplicada nas pálpebras, que serve de moldura para o traço firme e grosso do lápis de olho azul. Na boca, batom puxado para o vermelho. Nas bochechas, blush para iluminar. "Minha beleza quebrou o espelho", brinca, depois que o vidro se parte no corre-corre que antecede as apresentações.

Cotidiano
Phenicia é dona de casa comum. Dirige até hoje, e aprendeu com o marido a arte de desviar dos malucos no trânsito. "Até trailler eu já puxei", conta, orgulhosa. Dandolo também a ensinou a pescar. "Quando começamos a namorar, tinha nojo da minhoca. Depois pescava mais que ele. O aluno supera o mestre." As lembranças divertem Phenicia quase tanto quanto o circo.

Ela também cozinha massa aos domingos, como boa filha de italianos que é, nascida no bairro do Bixiga, na Capital. "Faço um molho que é uma beleza, deixo ferver por três horas para tirar a acidez do tomate. A família adora o resultado", explica. Durante a semana, ela também ajuda Giovana a fazer salgados e doces para vender em Diadema, onde mora há oito anos.

O circo não é a única arte na vida dessa senhora de pés de bailarina e nome de princesa. Seus dedos longos de unhas bem feitas já passaram pelas cordas do violão e pelas teclas do piano. "Aprendi a tocar porque queria supervisionar as aulas das minhas filhas, saber se estavam aprendendo mesmo", diz a exigente mãe.

Vida de circo
Para se equilibrar no arame, Phenicia treinou por três meses. "Fazer algo útil na vida exige dedicação", ensina, com a sabedoria de quem se doou para o marido e os filhos. "Minha meta é conseguir me apresentar sozinha, sem ninguém segurar minha mão. Quem sabe no ano que vem", vislumbra.

Denis Oliveira, professor de Educação Física e responsável por ensinar Phenicia a ser bailarina do arame, derrete-se pela aluna mais velha do Circo-Escola. "Ela é capaz de caminhar sozinha. Provou isso durante as aulas", garante. Denis acredita que o arame ajuda Phenicia a recuperar o equilíbrio perdido com o acúmulo dos anos.

Na verdade, Phenicia nunca o perdeu. Ele estava ali, talvez meio escondido quando o marido se foi, mas ao encerrar o número com uma reverência e ser aplaudida pelo público, a princesa o toma para si com plenitude. "O circo fez bem para ela, mudou a maneira como enxerga a vida", comemora a filha Giovana.

Phenicia foi esposa, é mãe e avó, dona de casa, cozinheira, princesa e bailarina. Phenicia poderia ser você.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Viajantes do tempo

Não sei se vocês leem ou não, porque nunca vejo comentários por aqui. Mesmo assim a vontade de escrever coisas diferentes permanece. Tenho sorte de conseguir essa abertura nos jornais por onde passo. E espero que continue assim.

Essa história me emocionou bastante e divido agora com vocês.

Viajantes do tempo

Futuros doutores integram projeto de humanização da Faculdade de Medicina do ABC


Por Camila Galvez

Foto: Fernando Nonato/Diário do Grande ABC

Os quatro viajantes e suas malas rústicas entram no quarto de Iriana Aparecida Farina Silva. "Eles acabaram de descer de um trem e vieram contar histórias para mim."

Iriana,48, está internada no Hospital de Ensino Padre Anchieta, em São Bernardo, há um ano e quatro meses. Ela sofre de ELA (esclerose lateral amiotrófica), doença do sistema nervoso que não tem cura. Respira por meio de um oríficio na traqueia, procedimento conhecido como traqueostomia. É a paciente que mais anseia pela visita dos ‘viajantes''.

Ana Maria Blumetti, 26 anos, Ana Carolina de Souza Alencar, 23, Fernando Towata, 23, e Paulo Henrique Barbosa, 21, são futuros doutores. Estudam na FMABC (Faculdade de Medicina do ABC) e fazem parte da primeira turma de contadores de histórias do Projeto Sorrir é Viver, formada neste ano.

Para Iriana, porém, eles são apenas os viajantes. Isso porque sempre carregam uma mala, na qual guardam as histórias e experiências que compartilham com seus atentos ouvintes, sejam eles pacientes de hospitais do Grande ABC ou moradores de asilos e orfanatos. A de Ana Maria, por exemplo, era de seu avô, hoje com 100 anos. "Ele a usou quando veio da Itália", conta.

A de Carol não é tão viajada assim: foi comprada na Praça da República, em São Paulo, e estampa a figura de Charles Chaplin. "Ele é minha fonte de inspiração", diz.

Tempo
Iriana tem companhia no quarto que ocupa. Rosalina Martins Ferreira, 73, está com a doença de Chagas, herança dos tempos de infância vividos em casa de pau a pique, no interior de Minas Gerais. Os olhos de ambas se fixam em Fernando enquanto ele declama O Tempo, poema de Mário Quintana. É o preferido de Iriana. Rosalina ouve pela primeira vez.

Há dez dias internada, ela tem esperanças de voltar logo para casa. Sua fé fica evidente quando o agora ouvidor de histórias pede: "Conte algo para nós, Rosalina".

Com a voz baixa e entrecortada pelo som da respiração de Iriana, Rosalina responde emocionada: "O que eu tenho para falar é da minha fé em Deus e da capacidade que tenho de amar. É isso que vocês trazem para gente, um pouquinho do amor de vocês".

Os futuros médicos saem em busca de novos pacientes, mas deixam a porta aberta nos corações de quem passou pela experiência. "Espero que eles voltem logo", torce Iriana.

Rotina
O Projeto Sorrir é Viver é mais conhecido pelos cursos de formação de clowns, que tem como principais objetivos a humanização do médico e a transformação do ambiente hospitalar. Inspirado nos Doutores da Alegria e na experiência do médico Hunter Patch Adams, formou seis turmas desde 2005, ano em que foi criado por estudantes da FMABC (Faculdade de Medicina do ABC).

A narração de histórias é novidade no projeto: os primeiros alunos passaram por seis meses de aulas neste ano, de março a outubro, e desde então estão viajando pela região carregando malas cheias de letrinhas e mentes repletas de ideias.

Para a coordenadora de enfermagem do Hospital de Ensino Padre Anchieta, Márcia Mazotti, ouvir histórias auxilia no tratamento dos doentes, principalmente em casos de internações longas. "A alegria dos contadores é contagiante e os pacientes ficam mais motivados para enfrentar os desafios impostos pela patologia", garante.

Eles não são os únicos beneficiados por esses jovens vestidos de preto, com boinas na cabeça e suspensório colorido. Márcia comenta que os funcionários também esperam pela chegada dos jovens contadores de histórias. "O hospital sai da rotina, ganha mais vida, mais som. O ambiente muda e isso faz bem para todos", afirma.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Histórias que a demolição não apaga

Não, eu não abandonei o blog. Sim, eu estou sumida, mas tem um motivo: mudei de emprego! Sai do ABCD Maior e, há uma semana, estou no Diário do Grande ABC.

Também tenho mais uma novidade gigantesca, para quem ainda não sabe: estou noiva e me caso em junho do ano que vem! Sim sim, estou mega feliz e mega ocupada com os preparativos! rsrsrsrs. E toda boba olhando essa aliança linda na minha mão. *.*

Deixo hoje para vocês minha primeira experiência com pé no Jornalismo Literário publicada aqui no Diário. Espero que gostem.

Histórias que a demolição não apaga

Relíquias e memórias das Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo estão se perdendo em São Caetano

Foto: Acervo da Fundação Pró-Memória de São Caetano

Por Camila Galvez

A história das Indústrias Reunidas Matarazzo se confunde com a vida de Josefina Perella. De seus 85 anos, 60 foram vividos na mesma casa, no número 10 da atual Praça Comendador Ermelino Matarazzo, em São Caetano. Dali, dona Josefina assiste à demolição das antigas ruínas promovida pela prefeitura, que pretende erguer um parque em parte do terreno.

Anos antes, em 1949, São Caetano se emancipava de Santo André e dona Josefina se casava com Emígdio Perella. O marido da aposentada trabalharia por 50 anos como mecânico das oficinas de fundição do grande império industrial.

Entre os colegas, Emígdio não era conhecido pelo nome, muito menos pelo sobrenome de sua família, tradicional no município. Josefina se lembra do dia em que, recém-casada, precisou procurar o esposo na fábrica para resolver um problema em casa. Quando se dirigiu ao porteiro da empresa, pediu:

- Quero falar com o senhor Emígdio Perella.

- Mas quem é Emígdio Perella? Só conheço o Mosquito!

Mosquito era o apelido de boleiro de seu Emígdio, que jogava no time formado por trabalhadores da Matarazzo. Naquela época, a maioria dos funcionários era conhecida pelo apelido na empresa. “Esse tempo era uma beleza. O bairro estava sempre movimentado, a fábrica funcionava em três turnos, sem parar. A praça parecia um formigueiro”, relembra. Nas décadas de 1940 a 1950, auge das indústrias na cidade, 10 mil pessoas passavam por lá durante os três turnos, todos os dias.

Saudades dona Josefina também sente do marido, que morreu há nove anos. Para ela, o que restou da Matarazzo hoje é o barulho e a poeira da demolição.

Império em ruínas

Josefina Perrela vivia há 46 anos na mesma casa quando Everton Calício começou a se interessar pela história dos Matarazzo. Era 1995, ano em que a mansão construída pelo Conde Franscesco Matarazzo na avenida Paulista no fim do século 19 veio abaixo após uma liminar judicial.

Aos poucos, com sua curiosidade de menino, chegou onde muita gente não conseguiu – ou não quis. Embrenhou-se pelas ruínas de São Caetano, jogou bola no terreno contaminado por mercúrio e BHC (hexaclorobenzeno), entrou no prédio da antiga Cerâmica Matarazzo e viu um estoque inteiro de azulejos e fornos de cerâmica abandonados. Tudo isso serviu para aguçar a vontade de conhecer mais sobre o antigo império em ruínas.

De acordo com os estudos de Calício, as Indústrias Matarazzo se instalaram em São Caetano em 1912 após o arrendamento das instalações da antiga fábrica de velas, glicerina, sabões e óleos vegetais Pamplona. A empresa começou a se desenvolver por volta de 1926, quando o Conde inaugurou no que seria chamado de Núcleo São Caetano a primeira fábrica de raion (seda artificial) no Brasil, a Visco-Seda Matarazzo.

Na década de 1920 também foi erguida a Vila Matarazzo, conjunto de habitações populares para operários, verdadeiro luxo na época. Em uma dessas casas, de pé até hoje mas totalmente descaracterizadas, vive Ana Freitas. Por 11 anos ela serviu café para os "chefões" da Matarazzo. "Era o tempo das vacas gordas", relembra.

Desconfiada, Ana hesitou em falar sobre o assunto, mas acabou por ceder após me garantir que comprou a casa onde vive e pagou direitinho. "No começo morava de aluguel, cinco cruzeiros por mês. Era barato. Depois ofereceram para comprar ", diz.

Nas memórias de Ana, a mais marcante é o casamento de Marina Matarazzo Suplicy, neta do conde Francesco Matarazzo Jr, conhecido como Conde Chiquinho e herdeiro do império. "Fiquei 15 dias na mansão da família no Morumbi para ajudar na cozinha. O conde Chiquinho gostava de ficar entre as panelas, olhando o que a gente fazia e dando palpite. A mãe da noiva e filha dele, dona Filomena, aparecia sempre e nos tratava como igual", afirma.

Ana me deixa de lado para cuidar do feijão no forno. As memórias da Matarazzo ficam para trás quando ela fecha a porta da casa.

Vida na Cerâmica

A partir da década de 1930, é instalada em São Caetano a fábrica de louças Claúdia, uma das maiores do setor de louças e azulejos no país. A produção diversificada, marca da Matarazzo, fica evidente quando se observa o leque de produtos: seda, louça e azulejo, papel, papelão e celulose, ácidos, soda caústica, hexaclorobenzeno, acetileno, carbureto de cálcio e ácido sulfúrico. "A estratégia empresarial dos Matarazzo era a de aproveitar os insumos restantes dos processos para dar origem a novos produtos", explica Calício.

Essa característica também levaria o império à ruína, na opinião do pesquisador. "A Matarazzo não se especializou em nada e foi engolida pelas empresas estrangeiras e a indústria automobilística por volta da década de 1980", afirma.

Mas o que começou a enterrar de verdade a empresa foi a morte de um operário por contaminação por BHC, a primeira que ocorreu no Brasil, no fim dos anos 1980. A produção química foi totalmente encerrada, permanecendo em funcionamento em São Caetano apenas as unidades de fábricação de TNT (tecido não tramado) Matflex, e a Cerâmica Matarazzo, que fabricava azulejos.

No prédio da Cerâmica Matarazzo, cercado por muros altos cobertos de plantas e pichações e fechado por portões enferrujados, a sensação de abandono é evidente. Alguém mais atento, porém, é capaz de reparar em um portão com cadeado novo, na campainha que ainda funciona, em uma janela pela qual é possível ver luz e ouvir música e barulho de louça lavada.

Severina de Oliveira, aposentada, 67 anos, atende meu chamado e conversa comigo no portão. No começo, não quer dizer seu nome, mas aos poucos se solta. O marido, Mateus Gomes Mariano, ainda trabalha na empresa na qual começou aos 17 anos. Hoje atua na fábrica de Ermelino Matarazzo, na Capital.

Ela trabalhou em São Caetano por 25 anos. Foi demitida em 2008 quando a Matflex, última fábrica do antigo império, fechou suas portas. "Não tenho do que reclamar. Me aposentei na Matarazzo, criei meus filhos aqui e ainda moro nessa casa sem pagar aluguel, porque fico olhando a propriedade. É uma pena que tudo acabou", lamenta.

Mais gente mora na antiga Cerâmica abandonada. Uma senhora chega a atender a campainha. "Não tenho a chave. Não vou abrir. Não moro aqui".

O abandono persiste, e tentar falar com a família sobre o assunto não foi possível. O império ruiu e se fechou para o mundo. Mas as lembranças de quem viveu essa época de desenvolvimento e crescimento continuam vivas, mesmo que escondidas pelos escombros de um passado que, infelizmente, continua se perdendo dia a dia.


São Caetano vai preservar fachada de antiga fábrica

A demolição das paredes que compunham parte das Indústrias Reunidas Fábricas Matarazzo começaram em outubro e devem durar cerca de dois meses. A prefeitura tem a intenção de erguer um parque no local, mas ainda depende de autorização da Cetesb (Companhia Ambiental do Estado de São Paulo).

A administração apresentou ao órgão estadual estudo de investigação ambiental e avaliação de risco da área. De acordo com a Cetesb, esses estudos definirão possíveis medidas de remediação para o local e somente então serão autorizados usos futuros para a área.

No início da demolição, a intenção do secretário de obras da cidade, Júlio Marcucci, era preservar o prédio que está instalado no terreno para abrigar uma escola de educação ambiental. No entanto, devido ao estado de abandono da construção, apenas a fachada da Praça Comendador Ermelino Matarazzo ficará intacta.


Todo o processo de demolição está sendo documentado, conforme Marucci. "As paredes foram filmadas e fotografadas antes de vir abaixo. Todo esse material será reunido posteriormente e apresentado na escola de educação ambiental como uma forma de fazer com que as crianças conheçam a história da industrialização do município, que começou com a Matarazzo", garante.

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Bolsa aluguel: R$ 22 milhões por ano

Essa matéria me aperta o coração só de lembrar a situação dessa família. Ao mesmo tempo, me revolta saber que há pílula anticoncepcional e camisinha de graça no posto de saúde e a pessoa não toma uma atitude pra evitar a gravidez. É uma situação complicada que reflete o estado de atraso e abandono em que ainda se encontra esse país, não apenas a Região na qual vivo e trabalho.

Bolsa-aluguel: R$ 22 milhões por ano


São Bernardo, Santo André e Diadema possuem juntas 4.820 famílias que recebem o benefício


Por Camila Galvez

Foto: Luciano Vicioni

Primeiro veio William, que nasceu na cidade de Patos, perto de Campina Grande, na Paraíba. Wilma chegou a São Bernardo “no bucho”. Depois dela vieram Jéssica, Nayara, Nayane, Natália, Lucas, Lucicleide e uma menina que nasceu no dia 08/10, mas que ainda não tinha nome antes de vir ao mundo. Na casa de Ednalda Mendonça de Souza, 11 bocas comem com os R$ 600 que o marido, Eraldo José de Lima Santos, ganha em uma fábrica de móveis. A casa de três cômodos, alugada no núcleo habitacional Jesus de Nazareth por R$ 315, é a Prefeitura de São Bernardo quem paga, por meio da bolsa-aluguel.

Nalda, como é conhecida entre os vizinhos, tem 41 anos. Antes de fazer parte das 4.820 famílias que recebem o auxílio para custear a moradia na Região, vivia em um barraco também no Jesus de Nazareth, em área de risco.

- O esgoto corria debaixo do barraco. De tanta chuva, as telhas afundaram, molhava até a cama das crianças.

Os assistentes sociais da Prefeitura empurraram Nalda para fora em fevereiro, quando já não tinha mais jeito de ficar por lá.

- Ameaçaram levar meus filhos. Eu que não ia deixar isso acontecer, não.

O mais velho de Nalda tem 19 anos, mas não trabalha. Só não está na escola a menor, Lucicleide, que tem 1 ano e 4 meses. A mãe não conseguiu vaga na creche. Tentou, porque queria trabalhar, mas agora, com mais uma menina recém-nascida, os planos terão de ser adiados.
Nalda tem medo de depender sempre da bolsa-aluguel, auxílio pago pelas Prefeituras da Região e pela CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) para pessoas removidas de áreas de risco das cidades de São Bernardo, Santo André e Diadema. Juntas, as três Prefeituras gastam mais de R$ 22 milhões anuais com o pagamento do benefício. O proprietário da casa onde a família de Nalda vive quer o imóvel de volta.

- Mas assinamos contrato. Não saio daqui se não tiver outro lugar pra ir.

- E voltar pra Paraíba, Nalda? Não seria melhor?

- Pra Paraíba eu não volto. Aqui as pessoas ajudam a gente, lá eu teria que morar de favor com os outros.
E se não tiver jeito e o dono da casa quiser mesmo que a família saia, Nalda tem na ponta da língua o que vai fazer:

- Juntar um monte de madeira aí e erguer o barraco de novo, no mesmo lugar. Melhor isso que ir pra debaixo da ponte.

Em números - São Bernardo é a cidade que tem o maior número de famílias na mesma situação que a de Nalda: 3.071. Elas recebem até R$ 315 mensais para custear o valor do aluguel. O gasto mensal da Prefeitura é de R$ 1,2 milhão. De acordo com a consultora da Secretaria de Habitação e coordenadora da equipe de trabalho social, Márcia Gercino, cerca de mil famílias não estão inclusas em programas habitacionais da Prefeitura atualmente. “Elas deverão ser atendidas pelo Minha Casa, Minha Vida, do governo federal, que também destina moradias para famílias que foram removidas de áreas de risco”, explicou Márcia.

Em Santo André há dois tipos de convênios que oferecem a bolsa-aluguel à população, um com a Prefeitura e outro com a CDHU, do governo do Estado. São 1.170 famílias atendidas, sendo 589 pela CDHU e 581 pela Prefeitura. O valor máximo do benefício é de até R$ 380 para cada família. No mês de setembro foram pagos benefícios no valor total de R$ 433,9 mil.

Santo André foi a primeira cidade do ABCD a assinar contrato com a União para o programa Minha Casa, Minha Vida, por meio do qual serão construídas inicialmente 352 moradias para famílias que recebam até três salários mínimos mensais. Somente nesta primeira fase do acordo serão beneficiados quase 1.500 andreenses, conforme a Prefeitura, que não esclareceu se esses andreenses são os que recebem atualmente a bolsa-aluguel.

A Prefeitura de Diadema atende 579 famílias, removidas de áreas em urbanização, como os núcleos habitacionais, de áreas de risco ou que sofreram danos causados por incêndio, desmoronamento de encostas, desabamento, enchentes, entre outras ocorrências.  Por mês, gasta-se R$ 200 mil com o pagamento do beneficio, que varia de R$ 300 a R$ 350 na cidade.

As famílias beneficiadas são definidas como demanda prioritária e estão incluídas em projetos habitacionais em andamento e outros a serem iniciados, com recursos do FNHIS (Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social) e do PAC, por exemplo.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Biblioteca para o futuro

12 de junho. Dia de Nossa Senhora Aparecida. Dia das Crianças. Dia de esperança num futuro melhor no alojamento José Fornari, em São Bernardo. A iniciativa pode parecer pequena, mas é enorme, gigante pra quem presencia a vida dessas pessoas nesses malditos alojamentos. Eu tenho uma raiva disso! Não sei qual seria a solução para o sério problema habitacional das cidades do ABC, mas eu sei que alojamento definitivamente não é.

Biblioteca para o futuro

Alojamento José Fornari, em São Bernardo, inaugura espaço com cerca de 600 livros, revistas e gibis, todos frutos de doação


Por Camila Galvez

Foto: Amanda Perobelli

O sonho de Moisés Bispo dos Santos se tornou realidade nesta terça-feira (12/10). Em pleno Dia das Crianças, o alojamento José Fornari, em São Bernardo, inaugurou com festa sua primeira biblioteca comunitária. Os mais de 600 livros, gibis e revistas foram arrecadados por meio de doação graças aos esforços de Santos, que não desistiu da ideia que teve há dois anos até colocá-la em prática. “O pessoal daqui não acreditava muito, mas fui pedindo aos poucos e, no boca-a-boca, consegui abrir”, comemora o tesoureiro da Associação Esperança Viver Melhor, que reúne os moradores do local.

Algumas famílias vivem no José Fornari há quase seis anos em condições precárias. As paredes do alojamento, forradas com cortiças, têm inúmeros buracos, e o chão de madeirite range quando um grande grupo de crianças invade o pequeno espaço improvisado para abrigar os livros. A nova biblioteca está enfeitada com bexigas coloridas, sopradas por Moisés com a ajuda de sua família.

Em meio às prateleiras, também frutos de doações, Lucas Henrique da Silva, 11 anos, encontra um livro de matemática. “É a matéria que mais gosto”, garante. Pergunto se ele pretende estudar ali, e ele responde: “Vai ser mais legal que em casa”.

Débora Bianca, de 12 anos, também está empolgada com a novidade. “Gosto de ler livros de ação. O último que li foi Um estudo em Vermelho, que conta a história de um detetive que desvenda um caso de assassinato”, relembra. A menina que veste casaco rosa, assim como suas bochechas coloridas pelo sol que faz do lado de fora do alojamento, tem na ponta da língua o que quer ser quando crescer: “Médica!”. E será que a biblioteca vai ajudar, Débora? “Tenho que estudar muito. Acho que vai ser um espaço bom pra isso”, arrisca.

Outra pequena moradora, Cristine Raiane, 11 anos, está interessada nos livros didáticos de ciências, sua matéria preferida. Assim como Débora, também já escolheu sua profissão: professora. “Tem que ter muita paciência e ser muito inteligente”, opina.

Futuro

Moisés tem certeza que a biblioteca pode ajudar as crianças da comunidade a ter um futuro melhor. “O próximo passo é fazer um mutirão para catalogar todos os livros”, afirma. E depois, Moisés? “Depois quero levar a iniciativa para outras comunidades carentes. Já comecei a conversar com o pessoal do núcleo Capelinha e, se continuar arrecadando bastante, vou levar uma biblioteca pra lá também”, prevê.

Por enquanto, a unidade do José Fornari funcionará cerca de duas horas por dia. Moisés está em busca de um jovem que possa ficar em período integral no local, voluntariamente. Ainda não encontrou.

A biblioteca continua aceitando doações. Livros, revistas, gibis, computador, estantes, mesas e “tudo o que não for fazer falta para quem doar” são aceitos. Para tanto, basta levar a doação até o alojamento, que fica na avenida José Fornari, 1650, em São Bernardo. Para falar com o Moisés, o telefone é 3424-1633.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Jardim Santo André

Quem disse que não é possível fazer jornalismo literário em fotos?

Quantas histórias você consegue contar vendo esse rostinho? Mais uma filha de mais uma Maria, essa do Jardim Santo André. Estive por lá hoje para fazer o registro fotográfico para a matéria da pós-graduação. Não sou especialista, mas me arrisco de vez em quando. Confesso que, de hoje, esse foi o melhor resultado, mas também a modelo ajudou, né?



A pequena Ana Giulia, filha da Claudinéa, também me deixou fazer uma fotinho dela, e até ensaiou um sorriso por debaixo da chupeta. A boneca que ela segura fez parte da minha infância, e agora protege as noites de sono dela.



Finalizo com as guerreiras do Jardim Santo André, Claudinéa, Débora da Missionários e Maria Regina. Pessoas que conheci e que, por mais simples que sejam, me ensinaram verdadeiras lições de vida. Obrigada, meninas!